Apresentado como uma das respostas do Estado brasileiro às medidas de proteção previstas pela Mesa de Trabalho Conjunta, o plano possibilita a concretização e a manutenção dos direitos territoriais dos povos indígenas, além da preservação do patrimônio socioambiental da Amazônia Legal.
O documento foi produzido pelo Grupo de Trabalho Vale do Javari, criado no âmbito do Comitê Interministerial de Desintrusão, e apresenta explicações descritivas das conjunturas e prescrições para o combate ao garimpo e à pesca ilegais, ao tráfico de drogas, a danos culturais e ao desmatamento, expondo inclusive calendários de ação, síntese de recursos humanos e previsões orçamentárias.
Seus objetivos específicos são:
- Articulação prévia das ações entre as agências envolvidas;
- A retirada dos invasores não indígenas;
- A destruição e inutilização de instalações e acessos que possibilitem a reocupação de invasores;
- O monitoramento subsequente da TI, de modo a evitar o retorno de invasores;
- Reprimir os delitos ambientais em curso na TIVJ, consistindo em pesca predatória, desmatamento ilegal e exploração mineral ilícita;
- Reprimir o tráfico internacional de drogas, que utiliza o Rio Javari como rota, incluindo indícios de associação com os praticantes de pesca ilegal como meio logístico de transporte de drogas;
- Manter vigilância fluvial permanente nos rios Ituí e Itaquaí, principais acessos ao território da TIVJ;
- Reprimir o garimpo ilegal no interior da TIVJ e inutilizar toda a sua estrutura nos rios Boia, Biá e Igarapé Preto;
- Realizar a retirada de todos os não indígenas da TIVJ, conforme necessidade de prévia autorização da FUNAI;
- Realizar ações de polícia judiciária para identificar integrantes de organizações criminosas autores dos crimes de tráfico de drogas e ambientais, produzindo provas nas respectivas investigações;
- Considerar o Plano de Contingência da Terra Indígena Vale do Javari na execução das ações previstas.
O espaço da Mesa de Trabalho também favoreceu o diálogo entre governo, sociedade civil e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para adequar as medidas de proteção às necessidades específicas de povos indígenas, comunicadores e ambientalistas, além de buscar ampliar a legitimidade do programa nos territórios.